
A PCRR (Polícia Civil de Roraima) vem ampliando o uso da tecnologia de análise balística
no combate à criminalidade. Desde a implantação do Sinab (Sistema Nacional de Análise
Balística), em junho de 2023, o Estado já registrou 46 correspondências entre perfis
balísticos, contribuindo para relacionar armas, projéteis e estojos a diferentes ocorrências.
Um dos resultados mais recentes da ferramenta permitiu identificar, em Manaus (AM), uma
arma apreendida pela Polícia Federal que havia sido utilizada anteriormente em um
homicídio ocorrido em Boa Vista, fortalecendo a investigação e demonstrando a
importância da integração nacional das informações criminais.

A tecnologia é utilizada pelo ICPDA (Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida), por
meio da Seção de Balística Forense. Os profissionais realizam exames técnicos e inserem
na base nacional os perfis balísticos produzidos a partir de vestígios encontrados em locais
de crimes ou relacionados a armas apreendidas.
A partir desses dados, o sistema realiza cruzamentos com informações de outros
laboratórios de balística do país, apontando possíveis correspondências que podem
revelar conexões entre ocorrências registradas em diferentes localidades.
Implantado em Roraima em junho de 2023, o Sinab representa um avanço na utilização da
tecnologia aplicada à investigação criminal. Antes da implantação, o confronto balístico era realizado, em geral, a partir de uma suspeita prévia de que determinada arma poderia
estar relacionada a um crime. Com a alimentação contínua do banco de dados, o sistema
passou a possibilitar a identificação de possíveis vínculos entre ocorrências sem que os
investigadores precisem, necessariamente, ter uma hipótese inicial sobre a relação entre
elas.
Em Roraima, o trabalho é realizado com o apoio do SIB (Sistema de Identificação
Balística), que utiliza equipamentos específicos para a captura de imagens de projéteis e
estojos. Esses vestígios são analisados e inseridos na base de dados, permitindo o
confronto com outros perfis cadastrados.
Quando o sistema identifica uma possível correspondência, os peritos realizam uma
análise técnica para confirmar ou descartar a relação apontada, inclusive por meio de
microscopia.
Segundo o perito em balística do ICPDA, Edilberto Lima, a tecnologia mudou a forma como
os exames podem contribuir para as investigações.
“Hoje, os dados são lançados no sistema e ele já indica possíveis correlações que
poderiam passar despercebidas. A partir disso, fazemos a análise técnica para confirmar
ou não essa relação”, destacou.
Arma usada em homicídio em Boa Vista é localizada em Manaus
Um dos resultados obtidos pelo Sinab demonstra, na prática, como a integração das
informações pode ampliar o alcance das investigações.
Uma arma utilizada em um homicídio ocorrido em Boa Vista foi posteriormente apreendida
em Manaus pela Polícia Federal, durante uma ocorrência relacionada ao tráfico de drogas.
A análise dos perfis balísticos apontou que o armamento já havia sido utilizado no crime
ocorrido em Roraima.
A correspondência foi possível porque os vestígios relacionados ao homicídio em Boa
Vista estavam cadastrados na base do sistema. Após o registro do armamento apreendido
em Manaus, o cruzamento de informações apontou a possível ligação entre os casos,
posteriormente analisada pelos peritos.
“Tivemos uma situação interinstitucional em que uma arma utilizada em um homicídio aqui
em Boa Vista foi apreendida em Manaus, em uma ocorrência de tráfico de drogas, e o
sistema indicou essa correlação. Isso demonstra a importância de termos os dados
integrados”, explicou Edilberto Lima.
Roraima avança na integração de dados contra o crime
Criado em 2021 e implantado nacionalmente a partir de 2022, o Sinab reúne laboratórios
de balística das forças de segurança de diferentes estados, além da Polícia Federal e da
Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal).
Para a diretora do ICPDA, Érica Veras, a integração permite que vestígios coletados em
locais de crimes e perfis produzidos a partir de armas apreendidas sejam compartilhados
para fins de análise e confronto. Dessa forma, uma arma localizada em outro estado ou até
mesmo uma informação inserida em outra base pode contribuir para esclarecer crimes
ocorridos em Roraima.
“A utilização do Sinab integra o processo de modernização da Polícia Civil de Roraima e
demonstra o avanço do Estado na adoção de ferramentas tecnológicas voltadas à
investigação e à produção de provas. Ao ampliar a capacidade de cruzamento de
informações, a ferramenta contribui para que crimes sejam relacionados, investigações sejam fortalecidas e a atuação das forças de segurança seja cada vez mais integrada”,
ressalta a diretora.
Mín. 27° Máx. 36°


