
A PCRR (Polícia Civil de Roraima) deflagrou nas primeiras horas desta segunda-feira, 27,
a Operação Mantus, que resultou no cumprimento de oito mandados de prisão preventiva,
sendo sete em Roraima e um no estado de Goiás.
A ação teve como principais alvos influenciadores digitais investigados pela exploração de
jogos de azar ilegais, popularmente conhecidos como “jogo do tigrinho”, além de crimes
contra o consumidor e lavagem de dinheiro.
Além das prisões, os agentes da DERCC (Delegacia Especial de Repressão aos Crimes
Cibernéticos) cumpriram 11 mandados de busca e apreensão, sequestro de bens móveis e
imóveis e bloqueio de valores que podem chegar a R$ 68 milhões nas contas bancárias e
em carteiras de investimentos dos investigados.
Durante a operação no bairro Caçari, um empresário, alvo da investigação, foi preso em
flagrante por posse de munição.
A operação é resultado de uma investigação que durou cerca de 18 meses, tendo iniciado
em setembro de 2024, e revelou um esquema estruturado, com forte atuação nas redes
sociais.
Segundo o delegado da DERCC, Eduardo Patrício, os investigados utilizavam sua
visibilidade digital para divulgar plataformas do chamado “jogo do tigrinho”, atraindo
seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis.
“As investigações demonstraram que havia uma atuação organizada, com uso estratégico
das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática
criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, destacou.
Ainda conforme o delegado, o grupo movimentou aproximadamente R$ 260 milhões em
dois anos, valor considerado incompatível com a renda declarada pelos investigados.
“Identificamos um crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo,
imóveis e bens de alto padrão, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro”, afirmou.
Prisões e investigados
Entre os alvos com mandados de prisão preventiva estão a influencer A.V.A.J., de 29 anos,
o marido dela, D.S.S., de 37 anos, a influencer A.L.F., de 28 anos, o influencer de Goiás,
G.S.S.C., de 25 anos, a influencer L.R.G.S., de 31 anos, o influencer P.A.S.R., de 27 anos,
a comunicadora R.S.C., de 39 anos, e a influencer V.R.S., de 26 anos.
Outros investigados também foram alvos de medidas judiciais, como mandados de busca e
apreensão em suas residências. Trata-se da esteticista J.L.N., de 23 anos, a influencer
V.P.B., de 26 anos, e o empresário do ramo automobilístico R.F.B.R., de 28 anos.
Diligências em vários bairros
Ao todo, foram montadas dez equipes policiais, coordenadas por delegados de diversas
unidades policiais, que atuaram simultaneamente em diversos bairros de Boa Vista, entre
eles: Cidade Satélite, Caranã, Cambará, Aparecida, Buritis, Centro, Caçari, Jardim Floresta
e Jardim Primavera.
Também foram cumpridos mandados em estabelecimentos comerciais vinculados aos
investigados, ampliando o alcance da operação.
Apreensões e bloqueios
De acordo com o delegado da DERCC, durante a operação, foram apreendidos celulares,
notebooks, dispositivos eletrônicos, documentos físicos e digitais, veículos de alto valor,
bens de luxo, como joias e acessórios.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de
patrimônio, visando interromper o fluxo financeiro do esquema criminoso ligado ao “jogo do
tigrinho”.
Desdobramentos
A primeira fase da Operação Mantus teve como foco os influenciadores responsáveis pela
divulgação direta dos jogos ilegais. Com a coleta de provas, novos desdobramentos devem
ocorrer em ações futuras
“A partir da análise do material apreendido, poderemos avançar na identificação de outros
envolvidos, inclusive possíveis financiadores e estruturas de apoio ao esquema”, explicou
o delegado.
Os mandados de busca e apreensão e de prisão foram expedidos pela Vara de
Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, após manifestação favorável do
Ministério Público.
“As investigações seguem em andamento, com possibilidade de novas fases da operação”,
disse Eduardo Patrício.
Encaminhamento dos presos
Todos os presos foram conduzidos às unidades policiais responsáveis pelo cumprimento
dos mandados, onde foram devidamente interrogados pelos delegados que atuaram na
operação.
Após os procedimentos legais, os investigados permanecem à disposição da Justiça e
serão apresentados em audiência de custódia nesta terça-feira, dia 28.
Origem do nome da operação
O nome “Mantus” tem origem na mitologia etrusca, em que Mantus é associado ao mundo
subterrâneo e às forças ocultas. A escolha do nome faz referência à atuação do grupo
investigado, que operava de forma dissimulada no ambiente digital, explorando jogos
ilegais e ocultando a origem dos valores obtidos.
A denominação também simboliza o trabalho da Polícia Civil em trazer à tona práticas
criminosas que, embora ocorram de forma virtual e aparentemente invisível, geram
impactos reais e prejuízos significativos à sociedade.
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