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Projeto usa robótica para fortalecer língua indígena e valorizar cultura originária na comunidade Darora

Iniciativa desenvolvida na Escola Municipal Vovó Tereza da Silva une inovação e saberes tradicionais

20/04/2026 às 11h41
Por: Aldênio Soares Fonte: Hora 1 Roraima
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Projeto usa robótica para fortalecer língua indígena e valorizar cultura originária na comunidade Darora

Por Marcus Miranda
Às vésperas do Dia dos Povos Indígenas, celebrado neste domingo, 19, a Rede
Municipal de Ensino de Boa Vista reforça, na prática, o compromisso com a
valorização das tradições. Na comunidade indígena Darora, a Escola Municipal Vovó
Tereza da Silva desenvolve um projeto que une tecnologia e cultura no processo de
aprendizagem, com uso do kit de robótica Matatalab.

Voltado para alunos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental, o projeto “Codificando
na Alfabetização: Fortalecendo os Saberes Indígenas” utiliza o kit de robótica para
estimular o pensamento lógico, ao mesmo tempo em que fortalece a língua materna
Macuxi.

Tecnologia a serviço da cultura

Com uma abordagem lúdica, o projeto adapta as atividades do Matatalab à realidade
da comunidade. Os tradicionais comandos de programação foram transformados em
palavras e expressões do cotidiano indígena, permitindo que os alunos aprendam
brincando.

Responsável pela iniciativa, o professor Miller Tavares de Almeida explica que a ideia
surgiu da necessidade de ir além do uso convencional do recurso tecnológico.

“Adaptamos o material para fortalecer o vocabulário das crianças na língua materna.
Eles trabalham a leitura, associam imagens e palavras e formam frases dentro da
realidade deles. Isso contribui significativamente para o desenvolvimento da
alfabetização e para a valorização dos saberes indígenas”, destacou.

Aprendizado que faz sentido

Com mapas produzidos pelo professor, os alunos aprendem, em Macuxi, nomes de
animais, partes do corpo, elementos da natureza e objetos do dia a dia, como arco e
flecha, tipiti, farinha e beiju.

Além disso, expressões comuns da rotina escolar também fazem parte das atividades,
como pedir para beber água, ir ao banheiro e responder à chamada, tudo na língua
materna.

“Eles usam palavras que fazem parte da rotina, tanto na escola quanto em casa. Isso
fortalece a prática e faz com que levem esse conhecimento para além da sala de
aula”, explicou o professor.

Outro detalhe que chama atenção é a personalização do material: os robôs e a torre
de comando receberam cocares coloridos, simbolizando a identidade cultural dos
povos indígenas.

Preservar hoje para o futuro

Miller destacou que o projeto vai além da tecnologia e tem como principal objetivo
manter viva a identidade cultural das crianças. “Trabalhar a língua materna desde
cedo é fundamental para que eles não percam essa conexão com a própria cultura. A
gente incentiva que eles pratiquem também em casa, com a família, para que esse
conhecimento não fique restrito à escola. É uma forma de preservar as raízes e
garantir que essa geração leve esses saberes adiante”, afirmou.

O gestor da unidade, Cleidson Marques, reforçou o papel relevante do projeto,
especialmente diante das transformações sociais. “Hoje, nossas crianças têm muito
contato com a tecnologia e com o mundo externo, o que pode enfraquecer a cultura.

Esse projeto vem justamente para equilibrar isso, mostrando que a tecnologia
também pode ser uma aliada na preservação das nossas raízes”, afirmou.

Ele destaca ainda que a iniciativa se soma a outras ações da escola, como o ensino da
língua materna, componente presente na grade curricular. “A língua materna é uma
conquista importante. A escola e a comunidade trabalham juntas para fortalecer essa
identidade, e projetos como esse ajudam a manter viva essa cultura nas novas
gerações”, completou.

Protagonismo e entusiasmo dos alunos

O resultado aparece no envolvimento dos estudantes, que participam ativamente das
atividades e demonstram entusiasmo com a proposta. “Eu gosto muito do Matatalab.
É bem legal”, disse a aluna Rainelly Carneiro, de 6 anos.

O colega de turma, Andrew Willer, de 6 anos, também afirmou gostar muito do
projeto. “Acho divertido. Já aprendi várias palavras”, contou.

Educação escolar indígena com qualidade e identidade

Assim como nas unidades urbanas, as escolas indígenas da rede municipal contam
com o mesmo padrão de qualidade, incluindo recursos tecnológicos, além de
especificidades que respeitam a realidade local, como transporte escolar, café da
manhã e cardápio adaptado à alimentação tradicional.

Nessas unidades, os alunos também aprendem Macuxi e/ou Wapichana por meio do
componente de Língua Materna, fortalecendo o vínculo com a cultura e a identidade
dos povos originários.

Matatalab: tecnologia que ensina brincando

O Matatalab é um kit educacional de robótica voltado para o ensino do pensamento
computacional de forma lúdica e sem uso de telas. Por meio de blocos de comando,
as crianças criam sequências e resolvem desafios, desenvolvendo habilidades como
raciocínio lógico, criatividade e resolução de problemas.

Na Rede Municipal de Ensino de Boa Vista, o recurso é utilizado como ferramenta
pedagógica integrada ao currículo, ampliando as possibilidades de aprendizagem e
mostrando que tecnologia e educação podem caminhar juntas, inclusive na
preservação da cultura.

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