
O primeiro podcast de 2026 da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), “Formação &
Emprego – Roraima em busca do match”, reuniu, nesta segunda-feira (12), especialistas das
áreas da educação e da formação profissional para debater os desafios e as oportunidades do
mercado de trabalho no Estado. O encontro abordou ainda a absorção da mão de obra
qualificada por instituições de ensino superior e técnico, além do papel do Poder Legislativo
na criação de políticas públicas voltadas à qualificação e à empregabilidade.
O bate-papo foi mediado pelas jornalistas Júlia Matos e Marilena Freitas e contou, de forma
presencial, com a professora de Economia da UFRR, Meire Joyce Almeida Pereira; o
professor de Publicidade do IFRR, Vitor Lopes Resende; e a superintendente do IEL
Roraima, Rônia Barker. A professora doutora Ana Célia Paz, gerente de Educação
Profissional do Senai Roraima, participou de forma remota.

O encontro é uma ampliação do documentário homônimo do podcast, produzido e exibido
pela TV Assembleia (canal 57.3), também nesta segunda-feira. Fruto de um trabalho
minucioso de pesquisa, entrevistas e levantamento de dados, a proposta surgiu da necessidade
de compreender o cenário de transição entre a formação acadêmica e técnica e a entrada no
mercado de trabalho, a partir de dados regionais e nacionais.
A produtora do curta, Marilena Freitas, explicou que a ideia nasceu de suas vivências como
motorista de aplicativo durante as horas vagas.
“A gente ouve muitas histórias durante as viagens e acabei me deparando com muitas pessoas
falando sobre emprego e oportunidades. Descobri que havia muita gente trabalhando em áreas
diferentes daquelas em que se formou, justamente por falta de oportunidade. Isso foi me
inquietando”, relatou.
Geração de emprego
A professora Meire Joyce destacou que a geração de trabalho depende de um conjunto de
variáveis, como investimento, demanda e a atuação conjunta de políticas públicas e
instituições. Segundo ela, para que haja atividade econômica, é essencial que existam pessoas
e oportunidades. Meire também ressaltou que Roraima deixou de ser, há anos, uma economia
baseada majoritariamente no serviço público.
“Hoje, a economia privada é maior do que o serviço público, tanto em número de ocupações
quanto do ponto de vista orçamentário. Não somos mais uma economia de contracheque há
mais de dez anos. São cerca de 10 mil trabalhadores a mais, totalizando mais de 83 mil
pessoas na iniciativa privada”, afirmou.
Promotores de oportunidades
Para a superintendente do IEL Roraima, Rônia Barker, o instituto atua como um verdadeiro
“promotor de oportunidades”, ao conectar indústria, mercado de trabalho e universidades,
especialmente por meio de estágios e capacitações voltadas aos jovens. Ela destacou a
importância do estágio para quem está ingressando no mercado e da permanência dos
estudantes na plataforma do IEL.
“O estágio cria um caminho para o desenvolvimento na área em que a pessoa está se
formando. Quando isso é oferecido ao aluno, ele também tem acesso a capacitações, muitas
vezes gratuitas, dentro do próprio IEL. Basta acessar o ielrr.com.br. Por semana, temos, em
média, 25 vagas de estágio. O desafio é encontrar esses jovens”, explicou.
Outro importante gerador de oportunidades é o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial). A professora doutora Ana Célia Paz explicou que os cursos ofertados geralmente
são planejados de acordo com a demanda da indústria, o que facilita a inserção dos alunos no
mercado de trabalho.
“Quem vem estudar conosco já traz uma certa prática e apenas aprimora o que sabe. Também
temos os aprendizes, indicados pelas indústrias, que iniciam uma trilha de conhecimento,
permanecem um bom tempo conosco e já saem prontos para serem absorvidos pelo mercado
formal”, afirmou.
O professor Vitor Lopes Resende avaliou a relação entre a formação técnica e o ingresso no
mercado de trabalho. Ele explicou que o IFRR realiza, anualmente, uma pesquisa para
identificar quantos alunos formados pelo instituto estão empregados na área de formação. De
acordo com o levantamento mais recente, de quase 300 formandos, cerca de 65% estão
empregados.
“É uma boa notícia, mas, ao analisarmos os dados, percebemos que muitos atuam fora da área
em que se formaram. Isso acontece por vários motivos. Não é uma relação direta, e sim
complexa. O mundo do trabalho é muito dinâmico e não é possível incorporar tudo nos
cursos”, avaliou.
Papel do Poder Legislativo
Durante o debate, a jornalista Júlia Matos reforçou o compromisso do Poder Legislativo com
políticas públicas de incentivo à formação e capacitação de jovens e adultos, citando iniciativas como a Escola do Legislativo (Escolegis) e, mais recentemente, o Centro de
Inovação e Empreendedorismo (Inovem), destacado no documentário.
“A ALERR enxerga no empreendedorismo uma oportunidade de crescimento. Isso é ofertado
por meio da Escolegis e do Inovem, lançado no ano passado, que conta com seis projetos
voltados para essa área e orienta as pessoas a buscarem seu espaço no mercado”, ressaltou.
Quem quiser conferir o podcast na íntegra pode acessá-lo nas plataformas oficiais da ALERR
no YouTube, Spotify e Deezer. Em todas elas, o perfil é @assembleiarr.
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