

Nesta segunda-feira (22), a Superintendência de Comunicação da Assembleia Legislativa
(ALERR) apresentou o podcast “Combate à intolerância ideológica”, produzido pela TV
Assembleia. Gravado nos estúdios da Rádio Assembleia (FM 98.3) e transmitido ao vivo
também pelo YouTube (@assembleiarr), o programa discutiu como o tema se manifesta nas
relações sociais e políticas, especialmente no ambiente digital, e quais são os impactos desse
comportamento para a democracia.
O bate-papo foi idealizado a partir da Lei nº 1.557/2021, que institui o Dia Estadual de
Combate à Intolerância Ideológica, celebrado anualmente em 6 de setembro. Conforme
explicou o mediador do programa e coordenador da Rádio Assembleia, Leôncio Monteiro, o
assunto tem ganhado força, especialmente nas redes sociais.
“É um problema que precisa ser conversado com a sociedade. Por isso, a ideia de convidar
especialistas que conseguiram trazer alguns esclarecimentos e cooperaram diretamente para
que esse assunto seja cada vez mais discutido”, frisou.
Um dos participantes do podcast, o psicólogo Wagner Costa iniciou a discussão falando sobre
o processo de formação mental do indivíduo, que apresenta os primeiros sinais a partir dos
seis meses de idade. Ele deu como exemplo uma encenação teatral com bonecos, na qual um
boneco importuna o outro. No final, o bebê em cena é instigado a entregar um biscoito a um
deles e escolhe aquele que sofreu a importunação.
“A psicologia diz um fato que nós temos a tendência de formarmos grupos e defendermos
aqueles que consideramos que fazem parte deles. Nós somos assim e precisamos aprender a
conviver”, ressaltou.
O professor de sociologia Linoberg Almeida declarou que é possível conviver com as
diferenças. No entanto, há dificuldades em compreender os limites da sociabilidade. Ele
também acrescentou que o diálogo ainda é o melhor remédio para a intolerância atual,
principalmente por meio da mídia.
“O debate talvez sirva de gotinhas homeopáticas para alimentarmos as pessoas com
informação e esclarecimentos e, assim, elas baixem a bola. Quando a poeira baixar,
poderemos construir um novo modelo de sociedade no qual respeitaremos uns aos outros,
independentemente daquilo que acreditamos ou pensamos”, comentou.
A cientista política Geyza Pimentel afirmou que o ser humano tende a se inserir onde avalia
ser o melhor para si, de acordo com sua própria visão de mundo. A professora avaliou que vivemos em um país democrático de direito, no qual a população é livre para viver como bem
entender, desde que não interfira na escolha alheia.
“Quando falamos em intolerância, destacamos aquele que não aceita a opinião do outro de
forma alguma, e isso dentro do nosso país não é válido. Em um estado democrático todos
podem ser representados e podem falar, ao passo que isso não configure crime”, salientou.
Questionado sobre a possível imutabilidade dos pensamentos do ser humano até a inserção na
faculdade, por exemplo, o também cientista político Paulo Racoski rechaçou a ideia de que,
desde a infância, a máxima “vir a ser” esteja ligada ao sujeito binário.
“Nós somos feitos de escolhas e, ao mesmo tempo, multitudinário, ou seja, propensos a estar
na multidão. Mas, que se perdermos a identidade nesse meio, nos tornamos uma massa
disforme perigosa. O homem sozinho é um vir a ser. Ele se constrói e reconstrói diariamente e
não tem a obrigatoriedade de ser sempre o mesmo”, argumentou.
O debate seguiu mostrando diferentes perspectivas e reflexões sobre o impacto negativo que a
falta de diálogo e educação pode causar à sociedade. A conversa está disponível na íntegra no
link do YouTube? https://www.youtube.com/watch?v=NQ9soCPOu8A.
Mín. 23° Máx. 32°



