
Elisabete Mesquita, moradora do Apiaú, em Mucajaí, é mãe da pequena Ester, uma verdadeira
guerreira. Durante uma consulta no Centro de Referência em Saúde da Mulher, ela descobriu
que a filha não estava se desenvolvendo como o esperado e apresentava falta de oxigênio. Até
então, a gestação era tranquila, mas o diagnóstico trouxe apreensão.
Internada há dois meses no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, Ester
nasceu com apenas 30 semanas e pouco mais de 1.070 gramas. Hoje, com um mês de vida, já
pesa 1.350 gramas e continua recebendo todo o cuidado, amor e dedicação da família.
Cada grama conquistada é motivo de comemoração. “O método canguru fez toda a diferença.

Ela fica mais tranquila e eu me sinto acolhida”, conta Elisabete, que já viveu a experiência da
prematuridade com a filha Larissa, hoje com 11 anos e cheia de saúde. A mãe aguarda ansiosa
o momento de levar Ester para casa e reunir as duas filhas.
O Novembro Roxo, mês mundial de sensibilização para a prematuridade, reforça a
importância da prevenção, do cuidado e do acolhimento às famílias que vivenciam essa
jornada. A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), por meio de suas comissões e
frentes parlamentares, apoia e promove iniciativas que fortalecem políticas públicas
essenciais, como o Método Canguru e o Banco de Leite Humano, fundamentais para a saúde
materno-infantil.
A Lei nº 1.228/2018, aprovada pela ALERR, institui o Dia Estadual da Prematuridade,
celebrado em 13 de novembro, destacando a relevância do tema e ampliando as ações de
conscientização em todo o estado. Outras leis estaduais asseguram direitos e proteção às
gestantes e bebês, como o programa de alimentação complementar (Lei nº 89/1995), a
prioridade em assentos e estacionamentos (Leis nº 680/2008 e nº 836/2012), a presença de
intérprete de libras para gestantes surdas (Lei nº 1.479/2021) e a internação de gestantes de
alto risco na rede privada em caso de falta de leitos na rede pública (Lei nº 1.805/2023).
Essas medidas, somadas ao agendamento telefônico de consultas para gestantes e pessoas com
deficiência (Lei nº 1.838/2023), reforçam o compromisso do Parlamento estadual com a
dignidade, a inclusão e a vida. Mundialmente, o dia 17 de novembro é dedicado à
conscientização sobre o parto prematuro, suas causas e consequências. Em Roraima, as
atividades se concentram na semana do dia 13, mobilizando profissionais de saúde, famílias e
instituições parceiras em prol da vida e do acolhimento.
Método Canguru: política pública de amor e ciência
Para a coordenadora do Método Canguru, Márcia Sartor, o cuidado com o bebê prematuro
começa muito antes do parto. “É uma política pública humanizada, que envolve a atenção
primária, o acompanhamento especializado e o apoio contínuo à família”, explica.
Segundo ela, o processo tem início nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com a
identificação de gestações de risco, e segue nas unidades neonatais, onde o bebê recebe
atenção integral. “Aqui, o pai e a mãe não são visitas. Eles fazem parte do processo de
recuperação e fortalecem o vínculo afetivo com o bebê. Isso muda tudo”, destaca.
O método é dividido em três etapas: a primeira acontece dentro da UTI e UCI Neonatal; a
segunda oferece às famílias o espaço Mãe Canguru; e a terceira consiste no acompanhamento
ambulatorial do bebê após a alta. A saída da UTI ocorre quando o recém-nascido atinge dois
quilos, conquista autonomia respiratória e consegue se alimentar com segurança. A partir daí,
os cuidados seguem em casa, sob a orientação da equipe de saúde.
Banco de Leite Humano: solidariedade que salva vidas
O Banco de Leite Humano de Roraima, localizado na Maternidade de Boa Vista, é um dos
pilares do cuidado neonatal no estado. A unidade funciona 24 horas por dia e oferece suporte
a mães com dificuldades na amamentação, além de garantir o leite necessário para os bebês
internados na UTI.
A coordenadora Sílvia Furlin explica que o processo é simples e seguro. “Toda mulher que
esteja amamentando e tenha leite excedente pode se tornar doadora. Basta entrar em contato
pelo WhatsApp (95) 98444-0772, e nossa equipe cuida de tudo”, orienta.
A coleta é realizada com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar, por meio do projeto
“Amigos do Peito”, que leva os frascos esterilizados até as doadoras e recolhe o leite coletado.
Atualmente, cerca de 70 mães estão cadastradas como doadoras ativas, ajudando a salvar
centenas de bebês todos os anos.
De mãe ajudada à doadora solidária
A funcionária pública Leocádia Castro sabe, por experiência própria, o poder transformador
do leite humano. Mãe de Nicolas, nascido prematuro, ela viveu dias de incerteza enquanto o
filho ficou 13 dias internado. “Nos primeiros dias eu só o via pela janelinha, conversava com
ele do lado de fora”, relembra.
Sem poder amamentar, Nicolas foi alimentado com leite doado. “Ali percebi que aquele gesto
salvava vidas. Assim que comecei a produzir [leite], decidi doar também. Hoje, amamentando
meu segundo filho, Lucas, continuo doando. É minha forma de retribuir o que recebi”, conta
emocionada.
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