
No centro da Amazônia Setentrional, um encontro irá unir tecnologia, ciência e a sabedoria
ancestral dos povos indígenas. Nos dias 2 e 3 de outubro, Boa Vista vai sediar o I
Seminário Saberes Tradicionais e Científicos: Experiências Sustentáveis na Amazônia
Setentrional.
O Seminário, que acontece no auditório da Uerr (Universidade Estadual de Roraima), deve
reunir 260 participantes entre especialistas, pesquisadores, agricultores, gestores públicos
e comunidades tradicionais. As inscrições ainda podem ser realizadas clicando aqui.
A consultora técnica do Ierr (Instituto de Educação de Roraima) e vice-coordenadora do
seminário, Rosângela Viana, explica que o encontro fortalece a valorização de diferentes
saberes.
“Esse evento traz discussões necessárias, colocando no mesmo patamar os saberes
tradicionais com os saberes científicos. Isso é muito importante para acadêmicos,
pesquisadores, produtores e toda a população roraimense”, reforçou.
O evento tem peso estratégico, reunindo ideias e soluções regionais que irão compor o
documento que será levado por Roraima à COP 30.
“Nós temos uma programação muito rica em discussão nacional, regional e local, trazendo
reflexões, mas sempre com essa conexão com o mundo. E vamos ter o registro dessas
experiências, que vai fortalecer os participantes para que cheguem à COP 30 muito mais
empoderados e conhecedores da realidade local”, acrescentou Rosângela.
A COP 30 e os ODS
A COP 30 (Conferência das Partes), maior conferência da ONU (Organização das Nações
Unidas) sobre mudanças climáticas, será realizada em 2025, em Belém (PA), região
estratégica e fundamental para o equilíbrio climático do planeta.
As discussões dialogam diretamente com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável) da ONU, em especial o ODS 13 (Ação contra a mudança global do clima), o
ODS 15 (Vida terrestre) e o ODS 12 (Consumo e produção responsáveis). Na prática, isso
significa pensar em políticas que conciliem preservação ambiental, segurança alimentar e
geração de renda, sem deixar de lado os saberes tradicionais que orientam o uso
sustentável da floresta.
Roraima e a agenda ambiental da COP 30
Roraima pretende mostrar em Belém que é possível conciliar crescimento econômico e
conservação ambiental. O Estado já reduziu em 45,3% o desmatamento em relação a
2019, fortaleceu o PPCDQ-RR (Plano Estadual de Prevenção e Controle do
Desmatamento e Queimadas) 2025-2028 e implantou ferramentas como o Siggarr
(Sistema de Informação Geográfica e Gestão Ambiental de Roraima), criado pela Femarh
(Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), que monitora em tempo real
queimadas, uso irregular do solo e poluição hídrica.
A criação do Parque Estadual das Nascentes, em Rorainópolis, e de três Reservas de
Desenvolvimento Sustentável soma quase 1 milhão de hectares protegidos, garantindo a
preservação de rios, fauna e flora, além do modo de vida de comunidades tradicionais.
Financiamento e incentivo à ciência
O seminário é financiado pela Faperr (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de
Roraima), por meio do edital “Mais Eventos, Mais Ciência”. A iniciativa financia encontros
científicos e acadêmicos que estimulam a produção e a circulação do conhecimento local,
dando visibilidade às pesquisas feitas no Estado e permitindo que Roraima participe de
discussões nacionais e internacionais com base em dados, experiências e práticas
próprias.
Programação
A programação será presencial, com palestras, rodas de conversa, relatos de experiências
comunitárias, apresentações de trabalhos e debates sobre temas como diversidade
cultural, agroecologia, segurança alimentar e educação indígena.
Na programação, estão as palestras do professor Giovani da Silva da Unifap (Universidade
Federal do Amapá), que abordará a valorização da diversidade com inovação, e da
professora Rachel Camargo de Pinho, que discutirá agroecologia, sementes tradicionais e
manejo sustentável do solo.
Os principais resultados do seminário serão publicados no portal do Ierr, permitindo que as
contribuições fiquem acessíveis e integrem a preparação do Estado para a COP 30.
Mín. 22° Máx. 30°


