
Por Lucas Aires
Unindo roda de conversas e momentos de descontração com boliche, os integrantes
do Cabelos de Prata mergulharam em uma reflexão profunda sobre um dos temas
mais sensíveis da vida: a arte de cuidar da própria mente. Este exercício coletivo de
acolhimento ocorreu nesta quarta-feira, 17, no Centro de Referência e Assistência
Social (CRAS) do bairro Sílvio Leite.
Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, a psicóloga Andreina Soares
transformou a palestra em uma jornada de autoconhecimento e acolhimento. Com
delicadeza e expertise, conduziu os idosos sobre como cuidar das emoções pode ser
simples e transformador.

"A participação dos idosos foi gratificante. Eles contaram sobre suas experiências e os
orientei em relação ao Centro de Valorização da Vida (CVV), a como oferecer apoio
para outras pessoas e serem mais empáticos. Dei uma dica boa que é 'acariciar um
gato na rua', que é uma metáfora utilizada no livro ‘12 Regras para a Vida’, do Jordan
Peterson. ‘Acariciar um gato’ é parar um momento e apreciar as pequenas
gratificações que aparecem em nossa vida”, explicou.
A palestra não apenas informou, mas deixou sementes de transformação. Andreina
contou sobre os “sete amigos da saúde mental” e demonstrou como práticas simples
podem melhorar o bem-estar emocional. "São eles: gerenciar bem o seu tempo,
finalizar tarefas, nutrir bons relacionamentos, pedir ajuda, oferecer ajuda quando
necessário, viver o presente e valorizar as conquistas”.
Com um ano de participação no Cabelos de Prata, Maria Francisca, 68 anos,
encontrou muito mais que atividades recreativas – encontrou um lugar para reviver
histórias, compartilhar sabedoria e exercitar a gratidão. Dona Maria vê no projeto um
refúgio para celebrar a vida e a fé.
"Nesta palestra, eu me identifiquei muito, principalmente sobre agradecer sempre.
Porque está escrito na Bíblia: ‘Deem graças, pois é a vontade de Deus’. A psicóloga
falou sobre ver uma pessoa triste e não saber o que ela está passando. Então, temos
que agradecer e orar por todos, para que seus dias sejam melhores”, contou.
Aos 84 anos, Manuel Veras é um participante assíduo do projeto há 15 anos, sendo
um testemunho vivo de como a sabedoria pode transformar o envelhecimento em
uma jornada de aprendizado contínuo. Seu Manuel compartilhou suas reflexões após
a palestra, revelando como pequenos gestos e palavras podem fazer a diferença na
vida.
"Nós, os seres humanos, temos que nos cuidar, porque os problemas aparecem, mas
podemos viver uma vida tranquila. O ser humano é capacitado a si mesmo. Você e
eu, somos observados pelas nossas capacidades, qualidades e também pelos nossos
defeitos. Por exemplo, eu já tenho essa idade e reconheço que para a ciência, eu
perdi 80% da minha atividade, força e energia, mas o que importa são os 20% que me
restam e a gratidão que carrego neles", relatou.
*Supervisionado por Shirleia Rios*
Mín. 23° Máx. 30°


