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Superintendência de Saúde da ALERR aborda cuidados com a mente em escola pública de Boa Vista

Programação dinâmica ocorreu na tarde desta quarta-feira, 3 de setembro, na Escola Estadual Olavo Brasil Filho

04/09/2025 às 10h53
Por: Adara Katlhelem Fonte: Hora 1 Roraima
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Superintendência de Saúde da ALERR aborda cuidados com a mente em escola pública de Boa Vista

Uma programação informativa, leve e interativa para abordar os cuidados com a saúde
mental. Assim foi a ação “Tamo Junto: tudo o que você sente importa”, da Superintendência
de Saúde e Medicina Ocupacional da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), em
alusão à campanha Setembro Amarelo, nesta quarta-feira (3) na Escola Estadual Olavo
Brasil Filho, em Boa Vista.

Com rodas de conversas em formato talk show e dinâmicas entre os estudantes, a equipe da
Superintendência ministrou palestras de curta duração e apresentou os meios para se buscar
ajuda em caso de algum sintoma que afete o bem-estar emocional, como ansiedade,
melancolia e mudanças de humor.

Para este ano, o setor de saúde buscou inovar ao aplicar a campanha que visa a prevenção ao
suicídio. Ao invés de focar só em ações internas, a superintendência resolveu ir à população
em locais públicos, tendo os estudantes como o público-alvo.

A escolha das crianças e adolescentes como foco se deu por um dado preocupante:
aproximadamente mil jovens entre 10 e 19 anos cometem suicídio por ano do Brasil, segundo
dados Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), conforme pontuou a superintendente de Saúde
e Medicina Ocupacional da ALERR, Camila Costa.

“Decidimos sair das dependências da Assembleia e vir para dentro das escolas, trazendo
iniciativas diferentes, dinâmicas e interativas, para interagir com esse público mais jovem. A
Casa Legislativa tem essa preocupação em promover política pública também para a
juventude, por meio de informação, orientação, acolhimento e escuta”, frisou.

A equipe, composta também por psicólogas, buscou mostrar para os alunos que eles são
importantes e que tem, tanto no âmbito escolar quanto no Poder Público, um local de
acolhimento em que podem ser ouvidos, compreendidos e orientados.
“Nosso objetivo é, de fato, manifestar que aquilo que o jovem pensa realmente é importante.
Sabemos que é uma fase difícil e nos preocupamos em ofertar este acolhimento com
especialistas na área”, acrescentou.

Para a coordenadora pedagógica da escola, Cristiane Wottrich, é justamente esta fase,
considerada difícil, que precisa ser levada em consideração. Ela pontua que iniciativas como esta são fundamentais para o desenvolvimento da juventude.

“É importante que ocorram ações desta natureza nas escolas, principalmente para os nossos
alunos adolescentes, porque eles estão mais suscetíveis a qualquer tipo de situação no mundo.
É uma fase que estão iniciando no mercado de trabalho ou descobrindo o que querem cursar, e
tudo isso afeta muito o psicológico deles, além de problemas em relação à família”, ressaltou.

Todo apoio é válido

Cerca de 100 alunos participaram da ação “Tamo Junto”. Dentre eles, a estudante do ensino
médio Rhamona de Las Viegas, de 17 anos. A menina participou de uma dinâmica em que se
falava os motivos que causavam qualquer sentimento de ansiedade, tristeza ou angústia.
Como resultado, as psicólogas utilizavam o que foi compartilhado para aconselhar os demais
alunos.

Ela destacou que as pessoas devem deixar os tabus sobre saúde mental de lado e buscar
melhor qualidade de vida. Às vezes desabafar com amigos e família, e depois procurar ajuda
profissional, pode auxiliar na resolução dos conflitos internos.

“Todos nós estamos sujeitos a passar por problemas emocionais, por isso é tão importante
tratar disso. Eu acredito que todos nós deveríamos buscar ajuda, fazer nossas autocríticas
constantemente para saber o que nós estamos fazendo, se nossas ações não estão afetando
alguém também. É cuidar de si e ainda do outro”, ponderou.

Sobre a dinâmica, a estudante não economizou elogios e disse ser muito significativa a
preocupação do Parlamento com a sociedade, em especial os adolescentes. “A Assembleia
Legislativa vem como um reforço para que a gente lembre que, sim, nossos pensamentos
importam e nós somos importantes”, disse.

Alerta aos pais

A psicóloga Raquel Veras, que integra a equipe da Superintendência de Saúde da ALERR,
destacou que o Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização à valorização da vida
e que, neste ano, as ações foram levadas para dentro das escolas com o objetivo de orientar os
adolescentes sobre os desafios emocionais que enfrentam.

“Os alunos precisam dessa orientação para entender que a pressão que sofrem em casa,
somada à cobrança interna e às exigências externas da sociedade, muitas vezes interfere na
qualidade dos estudos e na saúde mental. A ideia é mostrar que eles podem identificar essas
nuances das emoções, aprender a nomeá-las e buscar uma rede de apoio, compreendendo que
pessoas ao redor fazem diferença para uma melhor qualidade de vida”, explicou.

Ela reforçou ainda a importância da aproximação dos pais com os filhos. Segundo a
psicóloga, a atenção diária, o incentivo às habilidades e o diálogo aberto fazem diferença no
comportamento dos jovens e ajudam a evitar situações de isolamento ou rebeldia, comuns nessa fase da vida. “É fundamental que os pais conversem, se aproximem, tentem compreender as preferências e
habilidades dos filhos.

Muitas vezes, expectativas irreais geram frustrações, tensões e até
distanciamento. Esse afastamento pode provocar rebeldia, isolamento e conflitos constantes.
Por isso, é preciso orientar e incentivar, permitindo que os adolescentes experimentem,
acertem e errem, pois tudo isso faz parte da formação humana”, alertou.

Se precisar, busque ajuda

A campanha Setembro Amarelo foi criada em 2014 pelo Centro de Valorização da (CVV), em
uma parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de
Psiquiatria (ABP), com objetivo de prevenir o suicídio.

O “Dia D” é em 10 de setembro, mas a programação de sensibilização ocorre ao longo do mês
em todo país por meio de palestras, capacitações de profissionais, orientações psicológicas,
distribuição de materiais informativos, e muito mais, desenvolvidos órgãos públicos e
privados, instituições e sociedade em geral.

Quem precisar de ajuda, pode utilizar os serviços gratuitos do CCV pelo telefone 188. O canal
funciona 24 horas por dia e a ligação pode ser anônima. Também é possível buscar
atendimento na rede pública por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

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