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Armando Neto denuncia ações do Governo Federal contra moradores da Vila Samaúma, em Mucajaí

Produtores seriam impedidos de andar com combustível para abastecer maquinários da agricultura familiar

13/08/2025 às 13h24
Por: Aldênio Soares Fonte: Hora 1 Roraima
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Foto: Aldenio Soares
Foto: Aldenio Soares

Após recente visita à Vila Samaúma, localizada no município de Mucajaí, Centro-Sul de
Roraima, o deputado Armando Neto (PL) usou a tribuna do Plenário Noêmia Bastos
Amazonas nesta terça-feira (12) para elencar os principais desafios de quem mora na região,
principalmente pela proximidade de áreas indígenas e com atividades de garimpo ilegal.

Segundo o parlamentar, produtores, agricultores e moradores alegam sofrer com as constantes
abordagens da Força Nacional e outras instituições ligadas à Casa de Governo, do Governo
Federal, criada em 2024 para coibir a exploração de garimpo ilegal e ampliar as condições de
Saúde, Educação e alimentação aos povos indígenas Yanomami e Ye’kwana, com orçamento
em mais de R$ 1,2 bilhão e vigência até 31 de dezembro de 2026.

“Essa mesma Casa de Governo que vem para coibir o garimpo, para moralizar o Estado
brasileiro, essa mesma Casa de Governo que vem para manter a ordem, é a mesma Casa de
Governo que está fazendo o oposto da sua obrigação”, denunciou Neto.

O parlamentar enfatizou que as famílias da Vila Samaúma e de outras localidades próximas a
terras indígenas, sentem os impactos de ações contínuas, principalmente o comércio e a
produção da agricultura familiar. “A fala é a mesma: ‘não aguentamos mais a Força Nacional
com a Casa de Governo aqui, não temos culpa de ter operação do governo, a polícia aborda e
com a arma na cabeça’”, replicou, Armando, a fala dos moradores.

Armando Neto sugeriu que a Casa de Governo disponha de parte do seu recurso para investir
em equipe para identificar as famílias que moram na região. “A obrigação é saber quem é o
bandido, o infrator, quem é o aluno que apanha na vicinal, o pai de família, essas pessoas não
têm culpa de morar numa vila que está perto de área de garimpo”, declarou.

Ele apela para que o Governo Federal atue de maneira efetiva, mas com responsabilidade e
respeito ao cidadão. O deputado lembrou ainda que, desde meados de 2017 a 2018, início da
imigração venezuelana, não houve a compensação do Estado Maior sobre os gastos estaduais
devido ao inchaço no Sistema Público de Roraima.

O parlamentar aproveitou o discurso para pedir apoio da Assembleia Legislativa de Roraima
na mobilização de uma audiência pública para tratar dos trabalhos da Casa de Governo e
outras instituições federais, além de ouvir os moradores afetados com essas ações.

Em aparte, os deputados Aurelina Medeiros (Progressistas), Rárison Barbosa (PMB) e
Marcelo Cabral (Cidadania), manifestaram apoio ao discurso do parlamentar e contribuíram
com mais informações ligadas ao tema.

Para a deputada Aurelina Medeiros, a Casa de Governo tem outros interesses e que não há
ações concretas em prol dos povos indígenas. “Quero que me mostre, o Governo Federal nem
quer ouvir, quero ver a atuação deles aqui, em relação a indígenas, saúde e educação”, falou.

Rárison Barbosa lembrou do período em que esteve à frente da diretoria de Monitoramento e
Controle Ambiental da Femarh (Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos)
em que foi feito um mapeamento das regiões próximas a garimpo para identificar quem são os
moradores e quem são as pessoas que utilizam as estradas para escoamento.

“Será que com esse dinheiro não dá para colocar uma equipe para mapear as pessoas, para
identificar quem trafega por essas RRs, que o ‘João’ precisa carregar combustível para o seu
trator, o defensivo agrícola... Será que não tem como fazer esse mapeamento?”, indagou.

Marcelo Cabral ressaltou a importância econômica da Vila Samaúma como um polo
produtivo da agricultura familiar e da pecuária. “Sabemos que o nosso Estado é rico de
pessoas de bem que querem trabalhar, construir e alimentar suas famílias. Faremos o que for
preciso, contem com o nosso compromisso. Não aceitamos essa humilhação com o povo
roraimense, muito menos com o pequeno produtor que está sendo penalizado”, desabafou.

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